21.7.10

uma incerteza certa

As palavras são ditas ao acaso e todos os acasos acabam por não ter sentido. Nada faz sentido e o sentido não é nada. Tudo é nada e nada é um enorme vazio sem fim. Não há nada mais vazio do que nada. O início é o começo e o começo tem um fim. Tudo se resume a um início e a um fim. Todos vivemos na esperança de sermos felizes. A felicidade é tão cobiçada que acabamos por não lhe dar o devido valor. E por muito felizes que estejamos, nunca nos satisfazemos com essa felicidade, por isso, acabamos infelizes, tristes, sós. Tudo é sentido pelo mais profundo de nós. Todas as pequenas coisas, aquelas às quais não damos grande valor, acabam por ser as de maior significado. Acabam por ser as que decidem o nosso futuro. O destino é um acaso. Um acaso que nada nem ninguém consegue prever. Um pequeno detalhe pode mudar tudo. Pode dar um novo início, mas também pode designar um fim. Nem tudo tem respostas, mas em tudo há questões a fazer. Todos queremos respostas, mas ninguém consegue responder. Todas as respostas são vazias. Tão vazias como a maior parte de nós. Somos o que somos. Ninguém é perfeito. Este mundo é tão imperfeito como todos nós. A perfeição é inatingível. Todos a tentamos alcançar ou pelo menos tentamos encontrá-la em alguém que nos é próximo de alguma forma. Mas tudo não passa de uma ilusão. Uma ilusão criada por todos. Poucos são aqueles que tentam percebe-la. Quando a percebem deparam-se com uma perfeição imperfeita. A perfeição humana, a perfeição que reside em nós. Tudo não passa de uma realidade irreal em que as pessoas julgam ser tanto e se apercebem não ser nada. Sentimentos há muitos. Verdadeiros, nem tantos. A verdade é tão relativa que faz duvidar de grande parte de todos esses sentimentos. Dúvidas com sentido, que nascem através de palavras, de acções. Palavras e acções despropositadas, mas reais. Por vezes sentimo-nos sós, sem uma verdadeira palavra, sem um verdadeiro abraço. Todos estes sentimentos ficam guardados dentro de nós. Apenas nos piores momentos saem e deixam-nos devastados. Deixam-nos no fundo, sem qualquer amparo. Apenas nós e tudo o que sentimos. Todos os momentos que desperdiçamos, todas as brigas sem razão concreta, todas as recordações de tempos passados, todas as mágoas, todas as lágrimas, todas as noites passadas em claro pelo aperto sentido no coração, todas as pessoas que passaram na nossa vida e que de alguma forma a marcaram, todos os momentos passados sozinhos a pensar no futuro, todos os momentos de grandes alegrias, todos os momentos de grandes tristezas, todos aqueles que sempre estiveram presentes, todos aqueles que nos deitaram abaixo. Aí reflectimos sobre nós mesmos, sobre a nossa vida imperfeita e sobre todas as palavras ditas ao acaso, na esperança de um futuro feliz, que nos realize. Até que um dia chega o fim.



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