Acorda bem cedo. Ou nem dorme, depende dos dias. O barulho das balas a serem disparadas não o deixa ter um sono profundo. Come qualquer coisa rápida e energética e logo se lança para cima de um tanque de guerra, juntamente com os seus parceiros.
Olha para as ruas e vê corpos estendidos no chão. Sujos, ensanguentados, mortos. As poucas pessoas que passam transportam no olhar um medo aterrador e uma tristeza angustiante.
Passa um grupo de jovens que lançam inúmeras pedras e balas contra os tanques. Mais mortos e feridos. Mais lágrimas e gritos. Mais angústia e solidão.
O soldado é forte, mas isto toca-lhe na alma. No lugar daquelas pessoas poderia estar alguém que lhe é próximo. As lágrimas chegam aos seus olhos, mas logo desaparecem. Um novo grupo de atiradores aparece.
As horas passam em flecha. Já escurecia e ele sentia-se exausto, mas estava com um sorriso nos lábios. Tinha finalmente chegado a hora de ligar para casa. Enquanto falava com os seus entes queridos escorriam lágrimas pela sua cara e abria-se um enorme sorriso nos seus lábios. Mais do que nunca sentia a saudade a queimar-lhe o peito.
Apesar de estar cansado tem uma longa noite de vigia pela frente. Acende uma pequena fogueira e senta-se ao lado do seu colega.
Sem comentários:
Enviar um comentário